quarta-feira, 31 de março de 2010
Da série: Lembranças (da Ulla)
Memórias marcantes de uma menina
Vovó Regina, lembro – me de seu coque, com seus cabelos grisalhos, deitada na cama porque estava “dodói”. Íamos visitá-la e eu ficava ali deitadinha com ela lhe fazendo companhia. Ela faleceu, e Mamãe, com suas “miraculosas explicações”, disse que ela tinha ido para um lugar “muuuuuito” distante, e para podermos vê-la tínhamos que estar com outro carro, teria que ser novo para suportar a grande distância da viagem. Não sei quanto tempo passou, minhas irmãs gêmeas nasceram e então veio o carro novo para poder carregar todo o aparato delas. Conclusão, perguntei para Mamãe, quando vi a Caravan, toda feliz e inocente:
- “Agora nós vamos ver a Vovó”?
Sempre perguntei para a Mamãe como foi quando ela conheceu o Vovô Augusto, ela diz que só o viu no caixão, porém que o Papai tem a fisionomia dele, ela namorava o Papai na época.
Tio Jaime, sempre com um maravilhoso perfume, me chamava carinhosamente de Cheirosa. Ia aos finais de semana em casa ajudar o Papai a consertar algo, dois papais Ursulão como o desenho do Pica-Pau.
D. Leucádia, mãe da Tia Inês, guardava biscoitos amanteigados da lata azul só para eu comer em cima da sua cama; até minhas irmãs aprenderem a comer eu vivia a base de mamadeira. No sobrado azul e amarelo, do Belém, dancei com o San ao som de Glenn Miller - Moonlight Serenade.
Tia Inês que jamais esqueceu um dos meus aniversários me levou ao casamento mais chique da minha vida – de um Conde.
Cleison e seu violão cantando, “debaixo dos caracóis dos seus cabelos”, para mim.
A sessão de filmes feitos pelo cinegrafista Andinho,o apto na Aviação onde ele e minha mãe pegavam sabonetes de macumba na praia.
Os bailes de níver do Kleber com direito a dança da vassoura, na minha adolescência.
Com o Tio Silvino e Tia Lora aprendi a comer mandioca frita em Mongaguá.
Recordo-me de assistir o Wagner jogando bola num campo perto da sua casa ou soltando pipa, em casa ele não ficava.
Sandrinha, em seu casamento peguei o buquê. O varal italiano da sua casa, Mamãe é apaixonada e até hoje fala nele.
Não falava direito, mas só chamava meu primo de Xabinho. Um dia, com a Mamãe e as meninas no carro, falei:
- “Nossa que moço bonito, na moto”!
-“É o Fabinho seu primo”, só gargalhadas...
Tio Moacy com sua doçura e serenidade, os pés de ameixa caipira em seu quintal, as tartarugas e seus ovos. Quando ele emprestou a espingarda de chumbinho para a Mamãe acertar os gatos que viviam fazendo sujeira na garagem, ela tinha excelente pontaria, porém uma vez acertou o cano do vizinho que virou um chafariz, eu, ela e minhas irmãs escondidas chorávamos de tanto rir, um dos gatos ficou tão furadinho que de Mussarela o chamávamos de Queijo Suíço.
Tia Lourdes fazendo panetones, eles tinham que descansar sob a cama para crescer, que delícia come-los quentinhos.
Os meninos que eu confundia tanto seus nomes diferenciavam-nos como o mais velho - Gilvan, o do meio – Ivan, e o menor – Di, que de menor hoje não tem nada, jiu-jitsu é mara! E minha confusão continua, agora que os diferencio, confundo seus filhos!
Tia Ilma, minha madrinha que confeccionou minha roupa de Michael Jackson para eu dançar na escola, ficando perfeita, igual ao original; seus campeonatos de “puns” embaixo do cobertor.
Meu padrinho Tio Valdemir muito sério ajeitando seus óculos e falando, falando, falando...
Kátia escrevendo de Recife uma linda cartinha, que existe ainda, para a Mamãe ou eu e o San provocando minha prima.
San com suas tartarugas tigre d’água e peixinhos. Quando passei umas férias com eles fomos ao cinema assistir Popeye, a Ká lia as legendas porque eram muito rápidas. Ia com San à danceteria Hipodromus que hoje, ano de 2010, é a Igreja Bola de Neve.
O nascimento da pequena Tati.
As ligações do Tio Manuel para saber se todos estavam bem, sua mangueira carregada no quintal e eu não experimentei nenhuma, eram tão vermelhinhas...
Tia Cândi, a professora, muito séria e correta.
O Felipe no hospital, que susto. O aniversário da Gabi com toda a família reunida.
Se algum dos tios ligasse ou passasse em casa e não estivéssemos, sabiam que nos encontrariam na Vovó Maria e no Vovô Laudelino, o companheiro do Papai; todos achavam que era seu pai, não desgrudavam-se, bilhar, pesca ou idas ao sítio.
Úrsula, 31/Março/2010
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